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22 de Fevereiro de 2018

Suinocultores de Mato Grosso registram prejuízos de R$ 50 por animal vendido

Milho corresponde a 75%, 80% da composição da ração e 50% do custo de produção total do suíno.

O quilo do suíno vivo em Mato Grosso está na casa dos R$ 2,80 e gerando um prejuízo de em torno de R$ 0,40 aos suinocultores, uma vez que o custo de produção deste mesmo quilo é de R$ 3,20 aproximadamente. Segundo criadores em Mato Grosso, o milho é o principal peso hoje na atividade, sendo responsável por uma fatia de 50% do custo de produção. Suinocultores no estado pontuam que leilões de prêmio de escoamento da produção de milho beneficiam apenas aos produtores do cereal e suinocultores de outros estados, uma vez que o Governo Federal paga o prêmio para estes, enquanto o criador mato-grossense tem que arcar com o preço cheio da saca de 60 quilos.

Há exatos 12 meses o quilo do suíno vivo em Mato Grosso era comercializado a cerca de R$ 4,20. Contudo os suinocultores mato-grossenses se viram em meio a uma encruzilhada de preços pagos pelos animais em queda.

Os preços pagos pelo quilo do suíno vivo começaram a despencar, segundo o proprietário da Suinobras, Reinaldo Morais, após a deflagração da Operação Carne Fraca, em 17 de março de 2017, e as delações premiadas de representantes do Grupo JBS dois meses depois, em 17 de maio.

Já não bastassem os preços do quilo do animal vivo recuarem, o preço do milho começou a subir em setembro em Mato Grosso diante a realização de leilões de prêmio do escoamento pelo Governo Federal, após início de declínio verificado em abril com a colheita dos primeiros talhões de milho safrinha.

“Os suinocultores estavam vivendo um bom momento na comercialização dos suínos conseguindo vender em Mato Grosso em média o quilo do animal vivo a R$ 4,20, fora o ICMS que teria de ser pago pelo comprador. E, depois da Operação Carne Fraca houve uma queda muito grande tanto nas exportações quanto no consumo interno”, explica Reinaldo Morais em entrevista ao Mato Grosso Agro.

Reinaldo Morais lembra que tanto suinocultores de Mato Grosso quanto a indústria frigorífica existente no estado não tinham nenhum envolvimento com a operação deflagrada pela Polícia Federal. “Mesmo não havendo nenhum envolvimento em qualquer situação que se remetia à Operação Carne Fraca ou a delação da JBS, o mercado todo tanto externo quanto interno foi afetada e com isso de uma semana para a outra começaram os preços a cair, chegando até onde hoje nos estamos com R$ 2,80 em média”.

Outro ponto que agravou a comercialização de suínos (preços) foi à suspensão por parte da Rússia no final de 2017 de aproximadamente cinco frigoríficos brasileiros.

Custos de produção piora a situação

O custo de produção estimado pela Embrapa em Mato Grosso, segundo Reinaldo Morais, hoje está em torno de R$ 3,20 para cada quilo do animal. “E, nós estamos vendendo a R$ 2,80, ou seja, para cada quilo de suíno vendido são R$ 0,40 de prejuízo. Se a gente vende o suíno com peso médio de 125 quilos, que é o peso que o suinocultor vende em Mato Grosso, nós estamos falando que para cada suíno vendido temos R$ 50,00 de prejuízo”.

O proprietário da Suinobras pontua que o custo de produção é afetado, principalmente, pelo das matérias-primas, mais precisamente o milho que corresponde a 75%, 80% da composição da ração e 50% do custo de produção total do suíno. “Quando o milho sobre ele tem um impacto muito grande no custo de produção do suíno, atrelado aos demais custos que são energia elétrica, ICMS, entre outros”.

De acordo com o suinocultor, os leilões de milho realizados pelo Governo Federal beneficiam apenas os produtores e suinocultores de outros estados, uma vez que o prêmio é pago pelo próprio governo.

“O produtor de suíno de Mato Grosso não ganha o prêmio. Na hora que ele poderia comprar milho mais barato, que seria na safrinha entre maio e agosto, o Governo Federal lança esse pacote de leilões, paga uma premiação ao produtor de milho, com isso o milho no mercado interno de Mato Grosso sobe e o suinocultor paga mais caro, porque não tem benefício algum”, diz Reinaldo Morais.

Ainda segundo ele, nesse momento de entressafra do milho, onde a saca no estado é vista em média a R$ 21,00, deveria haver algum tipo de ajuda do Governo Federal para os suinocultores em Mato Grosso. “Todo aquele milho que nós compramos no estado o Governo Federal não gastou dinheiro pagando prêmio. O produtor teve que pagar, porque para usar o milho dentro do estado não tem prêmio. O suinocultor poderia estar sendo agora beneficiado por aquele prêmio que o governo deixou de pagar já que não gastou para escoar”.

Medidas estaduais

O proprietário da Suinobras afirma que a suinocultura mato-grossense só não quebrou em 2017, pois teve intervenção do Governo de Mato Grosso, como à redução do de 12% para 6% Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“O Governo de Mato Grosso em 2017 tirou o preço de pauta do suíno, que era um absurdo. E, outra coisa que fez foi o mesmo que os estados do Sul do país, que são grandes produtores de suínos, e que há vários anos vêm concedendo redução do ICMS do suíno para venda fora do estado. Com isso, abriu novos mercados para a suinocultura de Mato Grosso, se não toda a atividade estaria quebrada, porque dentro do estado, hoje, a produção é maior do que a capacidade dos frigoríficos instalados aqui”.