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21 de Junho de 2018

Soja e milho têm prejuízo de R$ 10 bilhões em 20 dias de tabela do frete

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que o prejuízo nos mercados de soja e milho tenha chegado a R$ 10 bilhões nos 20 dias de entrada em vigor da tabela com preços mínimos do frete. Os números foram entregues ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que iniciou nesta quarta-feira (20/6), uma audiência de conciliação sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a Medida Provisória 832, que estabeleceu preços mínimos para o frete rodoviário.

Por causa da indefinição de preços, o transporte e a comercialização estão travados. Segundo a CNA, há 60 navios parados nos portos aguardando carga. O custo com a espera chega a US$ 135 milhões.

Os cálculos da entidade consideram que, com a tabela, o frete rodoviário subiu em média 40%. No caso da soja e do milho, esse aumento ocorre quando há frete de retorno. Sem ele, a alta é de 50% a 150%.

Por causa do tabelamento, informa a CNA, 6,8 milhões de toneladas de soja e farelo deixaram de ser levadas aos portos e exportadas. Não havia mais espaço nos silos e armazéns. Aproximadamente 1,9 milhão de toneladas deixou de ser processado, o que significa que deixaram de ser produzidos 1,5 milhão de toneladas de farelo e 400 mil toneladas de óleo. Tampouco foram produzidos 225 milhões de litros de biodiesel. Só com soja e milho, os prejuízos financeiros montam a R$ 7,5 bilhões, ou US$ 2 bilhões. Disso, mais de metade (US$ 1,3 bilhão) corresponde ao aumento do frete.

Há prejuízos também em outros mercados. Metade do volume de arroz a ser embarcada está parada nos portos. Os aumentos no frete do produto são da ordem de 35% a 50% para o mercado interno e 100% para a exportação. O aumento do preço para o consumidor final deverá ser da ordem de 10%.