Notícias
31 de Agosto de 2017
Sanidade domina debate de executivos de frigoríficos
Questão ganha cada vez mais importância na sociedade moderna.
A percepção do consumidor sobre a indústria de alimentos e a realidade estão desencontradas, afirmou Gilberto Tomazoni, presidente global de operações da JBS, durante debate no Salão Internacional da Avicultura e Suinocultura (SIAVS), nesta quarta-feira, dia 30. Para o executivo, o consumidor acredita que só existem no setor grandes produtores, quando, na verdade, a cadeia é composta por mais de 130 mil pequenos criadores. O "problema" dessa divergência entre realidade e imagem, afirmou, é que o consumidor tem buscado informações em ativistas e Organizações Não Governamentais (ONGs). Em março deste ano, a JBS teve seu nome envolvido na Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, e que colocou em xeque a qualidade da carne brasileira. Depois dessa crise, a JBS esteve no centro de mais um furacão, com a delação de seus controladores, que admitiram esquemas de corrupção e pagamentos a políticos para conseguir facilidades na expansão dos negócios.
Após a Carne Fraca, a JBS tem buscado melhorar sua imagem do ponto de vista de sanidade de seus produtos. "Queremos ser referência em sanidade", disse Tomazoni. O executivo citou a contratação de Alfred Almanza para direção global de segurança dos alimentos e garantia de qualidade como exemplo do esforço da companhia para virar referência. Almanza trabalhou por 40 anos no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). No debate, Alexandre Almeida, vice-presidente Brasil da BRF – que também foi citada na Operação Carne Fraca -, disse que a companhia tem direcionado investimentos à área de sanidade animal, como a criação de galinhas livres de gaiolas. "Hoje, temos 100% das nossas matrizes de aves livres de antibióticos", afirmou.
Em uma resposta a Tomazoni, o vice-presidente da BRF disse que "não podemos fazer patrulha com quem quer que seu alimento seja produzido de maneira diferente". Mário Lanznaster, presidente da Aurora Alimentos, evitou a discussão sobre sanidade animal e destacou o potencial de aumento de consumo de carne suína no Brasil. A média de consumo por pessoa na Europa é de 44 quilos, enquanto, no Brasil, quinto produtor mundial, é de 13 quilos por pessoa. "O brasileiro vai descobrir o prazer de comer uma costela suína", brincou.