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22 de Fevereiro de 2016
Sanidade animal em questão
Um dos temas mais discutidos durante o Seminário Defesa Sanitária no Mato Grosso,realizado esta semana em Cuiabá pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) em parceria com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), foi a certifica-
ção de zona livre da Peste Suína Clássica. Quatorze estados e o Distrito Federal estão a um passo de receber o certificado, Mato Grosso está entre eles.
A comissão científica da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) aceitou o pedido do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para ampliar o status de zona livre da doença para o Distrito Federal, Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Também estão nessa lista os municípios de Guajará, Boca do Acre, sul do município de Canutama e sudoeste do município de Lábrea, no Amazonas. De acordo com o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luis Rangel, esta conquista é resultado de um grande esforço da defesa agropecuária e um reconhecimento da competência técnica brasileira.
Atualmente, apenas dois estados já têm o certificado:Rio Grande do Sul e Santa Catarina, conquistado em maio do ano passado, durante a 83ª Sessão-Geral da OIE, em Paris.
Com o referendo da OIE para os 14 estados e o DF, os 180 países membros da organização terão 60 dias para se manifestar tecnicamente sobre o assunto.
Segundo o chefe do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Guilherme Marques, caso haja algum questionamento, o Ministério vai manter uma equipe de prontidão para esclarecimentos. Superada essa etapa, o pedido vai para a assembléia da OIE para votação final, que acontece entre 22 a 27 de maio deste ano, em Paris, e posterior entrega do certificado ao Brasil.
De acordo com o diretor de Mercado Interno da Divisão de suínos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Jurandi Soares Machado, a sanidade é tratada como prioridade zero pela entidade. Para que se tenha acesso a mercados internacionais há que ter um serviço veterinário comprovando que o produto é seguro para o consumo humano.
Conforme o diretor, está previsto que a produção de suínos alcance grande proporções em Mato Grosso nos próximos anos. “É por isso que estamos aqui, tentando iniciar um trabalho no sentido de que o Estado dê uma atenção política especial à defesa sanitária, para que esta estrutura tenha informação e tenha a qualidade que o mercado exige. A qualidade sanitária do rebanho de suínos de Mato Grosso não tem substancias diferenças dos outros estados produtores. O que acontece é que aqui não há uma estrutura formal, com mais informações e uma maior interação. Sobretudo com o setor privado, que talvez seja mais importante que o fiscal agropecuário, porque afinal é ele que está no dia-a-dia da produção e tem o papel de informar as autoridades sanitárias sobre o que está ocorrendo”.
Conforme Custódio Rodrigues de Castro Júnior, diretor Executivo da Acrismat, o que já foi feito na região Sul do país, agora está sendo feito em Mato Grosso. “Iniciamos um monitoramento, desde a região
Norte a Sul, ou seja, de Sinop a Rondonópolis, no eixo onde está estabelecida a cadeia da suinocultura no Estado, com objetivo de nos mantermos livres da Peste Suína Clássica e de qualquer tipo de doença que possa envolver questões mercadológicas e comerciais. O que envolve os postos fiscais e o próprio Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT). Isso porque entendemos que o problema não está nas grandes granjas, que tem todo um trabalho de alicerce, equipe de veterinários, enfim uma estrutura
montada. Por isso, conclamamos sempre que a Acrismat está a disposição do pequeno produtor. Tanto, que agora estamos indo na região de Barra do Garças e Nova Xavantina, atuar junto a assentamentos, pois entendemos que temos que atender também estes
pequenos produtores”.
O produtor Itamar Antônio Canossa, do município de Sorriso, que tem 1000 matrizes em sua granja e está ampliando para 2000, diz que o produtor matogrossense, da porteira para dentro, é muito competente
porque além de estar sempre muito atento às questões sanitárias ainda tem o apoio dos fornecedores de matéria prima que lhe oferecem assistência técnica veterinária, e a grande maioria aproveita todas as informações disponibilizadas. “Na suinocultura temos que trabalhar com monitoramento e prevenção, pois existem vacinas e orientação para tudo. Então nós, como produtores, temos que seguir essas orientações
para não inviabilizar nossa produtividade”.
Na avaliação de Guilherme Nolasco, presidente do Indea, discutir a sanidade suína em Mato Grosso é de extrema importância, pois a suinocultura está alcançando um grande potencial de crescimento. Segundo ele, a bovinocultura, o algodão, o milho e a soja são cadeias produtivas já consolidadas no Estado, sendo que a suinocultura será o grande diferencial para os próximos anos.
“O nosso grande desafio era passarmos por uma auditoria do Mapa e sermos aprovados como Estado livre da Peste Suína Clássica no ano 2015. Conseguimos, e foi fruto de um esforço conjunto entre o Governo
de Mato Grosso, por meio do Indea, iniciativa privada e Acrismat. Contudo, para essa aprovação, tivemos que cumprir diversas metas, entre elas cadastramento de propriedades, pontos de monitoramento, entre outros importantes fatores. Agora, só temos que ir no mês de maio para França buscar este certificado, este reconhecimento internacional de livre da Peste Suína Clássica, o que significa uma virada de página na história da suinocultura em Mato Grosso”.
De acordo com dados apresentados pelo Indea durante o Seminário de Defesa Sanitária Animal, Mato Grosso registrou em 2015 um crescimento de 37,5% no rebanho suíno em relação a 2014, saindo de 1.900.903 para 2.613.925 de cabeças, distribuídas em 415 granjas.
O aumento é atribuído ao uso de tecnologia e ao acompanhamento efetivo, fiscalizações e coleta de dados realizados pelos fiscais do instituto.
A responsável pelo Programa Estadual de Sanidade Suídea (Pess), Daniella Schettino, apresentou esses e outros números na palestra “Panorama da Defesa Sanitária e Tendências”. Ela falou das ações já realizadas desde a implantação do programa, o calendário para 2016 e ainda o histórico do rebanho suíno de Mato Grosso. Segundo ela, no ano passado foi realizada a vigilância ativa em 4.198 propriedades, 913.763 suínos foram inspecionados. Sendo que foi realizada a vigilância e monitoramento em granjas e frigoríficos, vigilância sorológica em suínos asselvajados [cruzamento do javali europeu com o porco doméstico] e vários treinamentos para servidores e colaboradores.
Outra importante ação do Governo do Estado foi a abertura de novos postos de fiscalização em zonas de fronteira com áreas consideradas não-livres de Peste Suína Clássica (PSC). Foi aberto um posto em Guarantã do Norte e outro em Vila Rica, além de duas barreiras volantes, sendo uma em Colniza e a outra no Vale do Araguaia. Todo o trabalho desenvolvido em 2015 resultou na candidatura de Mato Grosso ao pleito de área livre de Peste Suína Clássica, junto à OIE. Para 2016, o Indea continua com o acompanhamento do rebanho, realizando vigilâncias, sorologia, cursos de capacitação para os servidores e cursos de Educação Sanitária voltada para a sanidade suídea na zona de fronteira com a Bolívia.
O Programa Estadual de Sanidade Suídea (Pess) foi instituído em Mato Grosso em 2006 e visa o controle das criações em condições sanitárias adequadas, dentro dos padrões zootécnicos e dos procedimentos operacionais de qualidade, bem como a promoção do bem estar animal e atendimento às exigências dos consumidores nacionais e internacionais. Tem como objetivo executar de forma contínua as ações, com atenção para as patologias peste suína clássica, doença de
Aujeszky, brucelose, tuberculose, sarna e leptospirose, bem como o monitoramento e a certificação das granjas e ainda estabelecer medidas sanitárias para o reconhecimento e/ou manutenção de Mato Grosso como área livre de enfermidades infecto-contagiosas e parasitárias.