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24 de Maio de 2018
Reflexos de paralisação podem durar até 40 dias, diz analista
Principal impacto é no mercado interno no curto prazo, uma vez que já ocorre desabastecimento das gôndolas dos supermercados e alta dos preços
A greve dos caminhoneiros tem gerado diversos problemas para as cadeias produtivas de aves e suínos. Pelo menos cinco grandes cooperativas centrais emitiram nota informando a suspensão de atividades em frigoríficos. Apenas a Aurora Alimentos relata que os prejuízos podem chegar a R$ 50 milhões.
“Existem reflexos nas exportações, porque alguns contratos podem ser quebrados ou os países importadores podem correr para outros fornecedores, e no mercado interno, onde é pior, porque ocorre desabastecimento e não temos para onde correr”, afirma Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Segundo ele, mesmo que a paralisação dos caminhoneiros tenha fim nesta semana será necessário um período de 20 a 40 dias para que a situação se normalize. O principal impacto é no mercado interno no curto prazo, uma vez que já ocorre desabastecimento das gôndolas dos supermercados e alta dos preços.
O pesquisador descarta a possibilidade de que ocorram problemas mais graves, como a quebra de contratos comerciais com outros países por conta da greve e do atraso de exportações. O que pode haver, ele diz, é uma pressão desses parceiros comerciais para que o Brasil resolva de maneira rápida essa situação.
A paralisação dos transportes precisa ocorrer de maneira rápida, afirma Carvalho, pois há um grande risco de falta de insumos para alimentar a produção de animais. “O grande problema é parar a produção porque não tem alimentos para os animais. Algumas granjas que já receberam alimentos vão continuar tocando, mas tem granjas que estão insumo”, ressalta.