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08 de Fevereiro de 2024

Mesmo em ano de pressão, exportação de carne suína cresce

Em um ano em que as incertezas sobre o mercado mundial continuam, o Brasil deverá obter novo recorde na produção e nas exportações de carne suína.

A produção brasileira deverá aumentar de 3% a 4% sobre 2023, e as exportações poderão superar de 3% a 5% o volume de 1,2 milhão de toneladas de 2023.

Os sinais que vieram do primeiro mês foram positivos, uma vez que os embarques continuaram. As estimativas são do Rabobank, banco especializado em agronegócio, que prevê, no entanto, mais um ano de pressões sobre o mercado.

A produção mundial, segundo o banco, será menor em 2024, uma vez que haverá uma redução do rebanho de fêmeas nos principais mercados mundiais.

China, Estados Unidos e Europa, que já estavam com rebanhos menores no final de 2023, vão sofrer quedas de produção, com extensões diversas em cada país, segundo o banco.

O mercado de suinocultura, que passou por uma série de desafios nos anos recentes, continuará sofrendo os efeitos de doenças, que reduzem a produção e geram margens de lucro negativas, excesso de oferta e demanda fraca.

Um ponto positivo é que a produtividade do setor continua crescendo. Avanços da genética, melhor gestão da produção e redução dos custos, devido à queda nos preços de milho e de soja, são pontos fundamentais para essa aceleração, segundo o Rabobank.

A continuidade da queda nos custos da ração vai depender do desempenho das safras agrícolas, afetadas em muitas regiões pelo clima.

O Brasil é um ponto de incerteza. O El Niño reduz a produção de soja, e os produtores ainda estão incertos sobre o plantio do milho, que ocorre após a colheita da oleaginosa. Milho e soja são importantes componentes da ração para os porcos.

O consumo mundial de carne suína terá uma leve melhora neste ano devido aos preços menores. Há também um alívio nas taxas de inflação e uma recuperação econômica em algumas regiões do mundo, afirma o relatório.

Cada mercado, no entanto, terá seus desafios para vencer. Em várias regiões a peste suína africana continua afetando os rebanhos, além de demanda fraca e estoques vindos do ano passado.

Já a Europa terá desafios ainda maiores, uma vez que, além da retração na demanda e recuo nos preços, passa por dificuldades nas exportações pelo mar Vermelho e canal de Suez. O trajeto fica mais longo e eleva os custos.

A China, principal destino das exportações brasileiras, importará menos neste primeiro trimestre. Os estoques do país estão elevados, na avaliação do banco.

Folha de S.Paulo / Imagem: Shutterstock