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08 de Dezembro de 2015

Mato Grosso deve produzir quase o triplo de carne suína até 2025

A produção de carne suína em Mato Grosso pode crescer 193% nos próximos dez anos. Isso porque o estado, que no ano passado produziu 200 mil toneladas desse tipo de carne, pode passar a produzir 500 mil toneladas até 2025. Os dados fazem parte da projeção Outlook 2025, divulgada nesta semana pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e realizada junto com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Segundo o estudo, a carne suína tem o maior potencial para crescer nesse período, seguida pelas carnes de aves, que podem apresentar um crescimento de 94%, e da carne bovina, que pode crescer 46%.
A produção da suinocultura no estado é ainda a menor entre as três carnes no estado. São produzidas 1,3 milhão de toneladas de carne bovina e de 600 mil toneladas de carne de aves. O superintendente do Imea, Otavio Celidonio, ressalta que a projeção registrou esse aumento mais expressivo para a produção de carne suína devido à demanda crescente, tanto nacional quanto internacionalmente.

No entanto, ele lembra que essa atividade é marcada por ciclos. Quando há o aumento da produção de carne suína, logo em seguida o suinocultor observa que o preço pago pelo quilo da carne cai e isso influencia a próxima produção. Os suinocultores do estado possuem hoje 135 mil matrizes ou fêmeas reprodutoras. “Vemos que a suinocultura deve ter um aumento expressivo, mas não deve ser um caminho tão fácil”, pontua Celidonio.

A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) vê o crescimento da produção de carne suína como uma tendência, mas também com cautela.

O diretor executivo da associação, Custódio Rodrigues de Castro Júnior, explica que a suinocultura tem particularidades diferentes, depende do mercado de altos e baixos. “Esse crescimento é salutar, mas a tendência é que seja mais lentamente. O que observamos é que o primeiro trimestre do ano que vem tem nos preocupado bastante, por causa do momento econômico do país. Estamos otimistas mas olhamos com cuidado”, diz.

O Outlook 2025 também prevê um aumento na oferta de milho (+113,2%) e soja (+74,4%) no estado. Segundo o diretor, o setor recebe essa notícia com interesse, já que Na suinocultura, a oscilação do preço depende do custo da soja e do milho. Ele comenta que o custo para produzir um quilo de carne suína em Mato Grosso está em torno de R$ 2,80 a R$ 2,90 e é vendido a uma média de R$ 3,20.

Aves

Para a avicultura, o segundo setor da pecuária que mais pode crescer até 2025, a previsão é de que a produção de carnes passe de 600 mil toneladas para 1,1 milhão de toneladas em dez anos. Isso significa um aumento de 94%.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Avicultores Integrados (Amavi), Tarcísio Schreider, destaca que o setor está aquecido com a valorização do dólar, pois ao exportar, os frigoríficos recebem um valor maior em reais.

O estado possui cinco frigoríficos em Várzea Grande, Lucas do Rio Verde, Nova Marilândia, Tangará da Serra e Sorriso. Segundo o presidente, se os investimentos anunciados por uma das empresas se concretizar, o setor tem tudo para crescer. “Outra empresa de  Tangará da Serra e de Sorriso também foram adquiridas recentemente, acredito que haverá um investimento alto”, comenta.

O setor também viu com bons olhos a informação de que a disponibilidade de soja e milho vai crescer expressivamente nos próximos anos. “O maior custo da avicultura é com milho e soja, se tem uma maior disponibilidade de grãos, isso já incentivaria a agroindústria a vir para cá”, analisa.
Bovinos

Para o setor da bovinocultura de corte, o estudo prevê o menor crescimento em porcentagem: de 46% até 2025. Isso representa uma produção de mais 600 mil toneladas de carne bovina, chegando a 1,9 milhões de toneladas. De acordo com o Imea, a suinocultura e a avicultura devem apresentar um crescimento maior que a bovinocultura até por conta do tempo que se leva para produção dos animais prontos para abate.

“Uma matriz de suínos produz 25 leitões terminados por ano, frangos produzem ainda mais. Já uma vaca produz um bezerro terminado [pronto para abate] a cada ano, então a decisão de aumentar esse rebanho leva muito mais tempo para ser atingido”, explica o superintendente do Imea.
Segundo ele, a competição com a soja, que tende a avançar sobre áreas de pastagens degradadas, desacelera ainda mais esse crescimento. “Então à medida que a soja cresce sobre a área de pecuária, gera esse efeito de diminuir área potencial e o potencial produtivo da bovinocultura”, diz.

O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Olmir Cividini, acredita que o aumento de 46% é considerável para a atividade. A saída é conseguir produzir mais em uma menor área disponível. “A pecuária está passando por uma mudança e o uso de tecnologias de intensificação de que favoreçam o crescimento da produção vão permitir esse crescimento, mesmo com a diminuição de pastagens”, afirma.

Uma das alternativas buscadas pelo pecuarista mato-grossense é a precocidade do gado enviado para abate. “Diminuiu a entrega aso frigoríficos daquele boi acima de 36 meses e aumentou a entrega do boi até 24 a 36 meses. O pecuarista, nesses próximos anos, vai lançar mão de tecnologias que potencializem a produção dentro da fazenda”, comenta.