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15 de Setembro de 2015
Frigoríficos tentam elevar vendas à Rússia
Em meio à queda dos embarques de carne bovina para a Rússia, os frigoríficos brasileiros passaram a oferecer cortes diferenciados em uma tentativa de ganhar espaço no varejo daquele país
Em meio à queda dos embarques de carne bovina para a Rússia, os frigoríficos brasileiros passaram a oferecer cortes diferenciados em uma tentativa de ganhar espaço no varejo daquele país. Paralelamente, os exportadores de carne de frango reivindicam a cota de 80 mil toneladas que era destinada por Moscou à União Europeia, mas que está "congelada" em razão das sanções do bloco contra os russos. Foi com as carnes na agenda que o vice-presidente Michel Temer iniciou ontem sua visita a Moscou. ~
Ele esteve no estande brasileiro na feira WorldFood, onde experimentou o churrasco que estava sendo servido e reiterou que a intenção de ambas as partes é incrementar o comércio bilateral.
Em 2014, quando EUA e UE impuseram sanções à Rússia, o número de frigoríficos brasileiros habilitados pelos russos para exportar carne bovina aumentou de 27 para 43, ao passo que as vendas de carnes de frango e suíno registraram forte incremento. Inicialmente, os russos pareciam tão preocupados com o abastecimento interno que chegaram a oferecer preços substancialmente maiores aos demais exportadores, como o Brasil. Um bom exemplo é a tonelada de coxa de frango, que era importada a US$ 1,2 mil e chegou a alcançar US$ 2,3 mil. Mas, com a deterioração da economia russa, impactada pela queda do petróleo e pela desvalorização do rublo, o valor voltou a US$ 1,5 mil.
Nesse cenário, os russos passaram a reclamar dos preços brasileiros, e em alguns casos conseguiram renegociar contratos com reduções de 20% a 25%. E as vendas de carne bovina do Brasil para o país, que alcançaram 306 mil toneladas em 2013, ou US$ 1,212 bilhão, e 314 mil toneladas em 2014 (US$ 1,214 bilhão), neste ano estão em baixa. Antonio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carnes (Abiec), estima que os embarques ao mercado russo cairão 20% em 2015, ou US$ 240 milhoes a menos que no ano passado. O preço da tonelada, que era de cerca de US$ 4 mil, hoje está em US$ 3,4 mil.
Daí o ajuste na estratégia dos frigoríficos. Maior empresa de proteínas animais do mundo, a JBS enviou uma equipe à Rússia para oferecer cortes diferentes, conforme Renato Costa, presidente da divisão de carnes da JBS Mercosul. A Rússia costuma comprar do Brasil mais cortes dianteiros e carnes para a indústria, mas menos cortes traseiros, mais valorizados. "Precisamos ir mais no in natura. Vemos oportunidades de venda de cortes traseiros diretamente para as redes de supermercado, via importador", afirma Costa.
Pelos problemas na Rússia e em outros mercados, Camardelli admite que, neste ano, as exportações brasileiras de carne bovina não vão alcançar o recorde de US$ 7,2 bilhões de 2014. Segundo ele, serão de US$ 6,5 bilhões a US$ 7 bilhões.
Ricardo Santin, vice-presidente de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), está mais otimista. Os reflexos do embargo de Moscou a americanos e europeus para as carnes de frango e suína foram mais positivos para as vendas brasileiras. O país vinha vendendo cerca de 60 mil toneladas de carne de frango ao ano à Rússia, mas em 2014 o volume atingiu 125 mil. No caso da carne suína, a retomada levou o volume a 185 mil toneladas, novamente um patamar expressivo.
De janeiro a agosto deste ano, os volumes seguiram em alta, mas as receitas caíram. Na carne de frango, foram 63 mil toneladas, 66,2% mais que em igual período de 2014, ou US$ 80 milhões, retração de 27%. Na carne suína, o volume cresceu para 157 mil toneladas, mas a receita caiu 5,1%, para US$ 450 milhões.