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08 de Fevereiro de 2017

Exportação de carne suína cresce até 300% e ameniza impactos da criseCarlos Palmeira

Carne suína representa percentual pequeno - menos de 1% - no volume das exportações do Estado
Todos os tipos de carne suína presentes no saldo da balança comercial de Mato Grosso registraram aumentos na exportação durante o ano passado. Em casos de pedaços como pernas, pás e pedaços não desossados de suínos congelados o acréscimo foi de 297%. O volume, segundo dirigentes do setor, salvou a suinocultura de uma crise mais séria.


Os tipos registrados na balança foram: miudezas comestíveis de suíno congeladas, produto cujas exportações aumentaram em 56,9%; outras preparações alimentos e conservas de suínos e misturas (8,2%); miudezas comestíveis de suíno, frescas ou refrigeradas (198,4%); tripas de suínos, frescas, refrigeradas, congeladas, salgadas e defumadas (74,4%) e outras carnes de suíno congeladas (74,1%). Os dados são compilados e divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).
De acordo com Custódio Rodrigues de Castro Junior, diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), o mercado final do produto representou melhoras por causa de questões externas. “Por alguns problemas de ordem política na Rússia, por exemplo, o país acabou comprando mais do Brasil. A questão ainda é explicada por fatores como o nosso custo de produção que é um pouco mais baixo do que em outros estados brasileiros. A própria piora no cenário da carne bovina também acabou contribuindo”, argumentou.


Como citado pelo diretor, segundo o relatório da balança comercial, o Brasil aumentou em 14,3% o volume de produtos exportados para a Rússia no último ano. Por outro lado, as exportações de carne bovina caíram em 15%.


Apesar do saldo positivo registrado em 2016, Custódio pontuou que o setor tem se preocupado porque os produtores estão trabalhando no limite entre o custo de produção e de venda. Segundo ele, a crise por causa da queda na produção do milho, que teve seu pico no início do ano passado, afetou bastante os criadores. “O que salvou a suinocultura e os produtores de entrarem em uma crise no ano passado foi o volume de exportações. Se elas não tivessem ocorrido, seria um caos. Como dependemos da agricultura, que teve um ano ruim, a tendência éra termos um ano preocupante também”, disse.


A carne suína ainda representa um percentual pequeno no volume das exportações de Mato Grosso. Apesar do produto especificado de “outras carnes de suíno congeladas” ter aumentado em 74,1% seu volume de negócios, a produção só responde por 0,65% do total de exportações de Mato Grosso. 


Consumo
A questão cultural também pesa para o alimento. O Brasil exporta aproximadamente 60% de sua produção, segundo o diretor. O trabalho para mudar esse cenário é realizado pelo Programa Nacional de Suinocultura (PNDS), que tem parcerias com o Senac e realiza, por exemplo, cursos de culinária que ensinam pratos diferentes que podem ser feitos com a carne suína.


“Nós conseguimos subir o consumo do brasileiro de 12,5 kg de carne suína para 15 kg per capita durante um ano. Só para saldo de comparação, existem países que consomem 70 kg per capita. Além de pequeno, esse volume brasileiro é pouco em natural, já que grande parte desse montante é de produtos embutidos. Mas nós estamos gradativamente fazendo esse trabalho e, particularmente, ficaria satisfeito se conseguíssemos um consumo de 20 kg per capita por aqui”, afirmou.


Custódio explicou que Mato Grosso tem 141 mil matrizes suínas e o desejo é aumentar esse número durante esse ano. Além disso, o setor deve tentar continuar algumas negociações para abrir novos mercados consumidores. “Nós já tivemos conversas preliminares com países como a Índia e a África do Sul que pretendem adquirir nossa carne. Precisamos ainda passar por alguns entraves sanitários e aduaneiros, mas são possibilidades que nós esperamos”, revelou.