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19 de Julho de 2019

Exportações de carne suína crescem no primeiro semestre e preço do suíno sobe no mercado interno

Segundo o MDIC, o grande salto nos embarques da carne suína brasileira se deu a partir de abril de 2019 e, no acumulado do ano, o Brasil já exportou um volume 27,32% maior que em 2018.

No primeiro semestre de 2019, os embarques totais da proteína suína do Brasil chegaram a 346,6 mil toneladas, volume que supera em 24,5% o total embarcado no primeiro semestre de 2018, com 278,3 mil toneladas. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em receita, o saldo total semestral chegou a US$ 699,7 milhões, número 23,4% superior ao registrado em 2018, com US$ 567,2 milhões.

A Rússia, no primeiro semestre de 2018, estav em fase de embargo e a retomada deste mercado no final do ano passado pesou significativamente no crescimento global das exportações brasileiras. Em 2019, há uma evidente desaceleração das vendas para a Rússia. Por outro lado, as exportações para a China aumentaram bastante nos últimos três meses e, no semestre, o crescimento dos embarques para o gigante asiático é da ordem de 28.9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mercado interno: preço do suíno em patamar máximo

Com o mercado chinês liderando as exportações (Tabela 2), o preço do suíno no mercado interno bateu recorde nas principais praças, chegando, por exemplo, ao valor de bolsa sugerido em Belo Horizonte (MG) de R$ 5,90. Ao que tudo indica, porém, este deve ser o teto de preço que o mercado interno consegue absorver, pelo menos por enquanto, pois nas primeiras semanas de julho já houve um recuo nos valores comercializados. Parte deste recuo se deve ao fato de que o mercado interno ainda passa por uma crise econômica e a carne bovina permanece com preço estável.

Estabilidade no mercado de grãos

O mercado de grãos, depois de alta volatilidade entre os meses de maio e junho, começa o segundo semestre mais estável. Com o plantio nos EUA praticamente concluído, ainda há expectativa de quebra da safra norte-americana. Porém, com a aceleração da colheita da segunda safra brasileira, não se percebe mais o viés de alta de preços no mercado brasileiro.

Segundo a consultoria MBAgro, uma quebra na safra de milho norte-americana de até 40 milhões de toneladas – partindo dos 380 milhões de toneladas projetados inicialmente – é possível de ser absorvida pelo mercado americano sem mudança significativa no consumo e na exportação. Valores acima desse podem provocar impactos contínuos no mercado e serão provavelmente mais sentidos na exportação, tanto de milho grão como de etanol. Embora hoje se considere uma quebra de 40 milhões de toneladas, não é descartado que números maiores possam se concretizar adiante. Nesse caso, os preços reagirão mais fortemente do que se viu até agora.

A soja, que mantém o bom ritmo de exportação, mas com projeção de volumes embarcados inferiores aos do ano passado, apresentou recuo nos preços, mesmo com a perspectiva de quebra na safra norte-americana. Existe uma expectativa de que, por conta das grandes perdas no rebanho suinícola da China, possa haver uma menor demanda do país. O fato é que, assim como o milho, há uma tendência de estabilização dos preços da soja e derivados, sem maiores oscilações nos próximos meses.

Atenção para os próximos meses

A PSA na China ainda não está controlada e analistas de mercado já estimam que as perdas podem chegar a 50% do rebanho suíno do país, que detinha metade da produção e do consumo mundial de carne suína. Isso tem sido um fator fundamental no aumento das exportações brasileiras neste ano com perspectivas boas para os próximos anos.

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o cenário é favorável à suinocultura para os próximos meses. Para ele, este é o momento de investir na melhoria dos sistemas de produção e na biosseguridade, a qual se tornou uma questão fundamental na manutenção da cadeia de produção.

“É preciso que os produtores aproveitem este momento para, além de recuperar os prejuízos acumulados ao longo das últimas crises, também adequarem suas granjas aos desafios e exigências do mercado consumidor, tais como bem-estar animal e redução do uso de antimicrobianos. Se o produtor focar somente no aumento da oferta de produto (ampliação de planteis), logo virá uma nova crise de superoferta”, salientou.