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19 de Maio de 2016

Criadores mato-grossenses em alerta

Baixa oferta do grão no mercado interno preocupa criadores de suínos, que temem o fim da atividade

A escassez de milho para o abastecimento do mercado interno é uma preocupação dos criadores de suínos em Mato Grosso. Para minimizar o problema, o governo federal tem realizado leilões públicos para garantir a viabilidade da produção de carne de frango e suína em todo o país. De fevereiro até agora foram leiloadas 500 mil toneladas do grão. Mas os criadores estão apreensivos com o que pode acontecer até a próxima safra, já que a lavoura não está consolidada neste ciclo e o preço alcança patamares elevados, inviabilizando a atividade.

De acordo com o diretor-executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, os prejuízos estão em R$ 40 por cabeça. Ele explica que o custo de produção está em R$ 3/kg enquanto o preço médio de venda é de R$ 2,60/kg, prejuízo de 40 centavos. O preço do milho contribui para o aumento do custo de produção, já que está em média R$ 35 a saca. 

O valor elevado é decorrente do grande volume que foi exportado na safra anterior, e resultou na escassez, que refletiu no preço do mercado interno. Do atual ciclo produtivo já foram comercializados 63,19% das 23,094 milhões de toneladas estimadas para a safra 2015/2016. Com isso, corre-se o risco de faltar milho no 1º semestre de 2017. Para que o problema não ocorra, a sugestão da Acrismat, é que o governo garanta estoque suficiente que possa ser leiloado no tempo oportuno, como ocorre este ano.

Contudo, há um empasse neste sentido já que a Conab possui atualmente cerca de 937,928 mil toneladas de milho em todo o país, sendo que a maior parte deste volume está em armazéns públicos de Mato Grosso, 88,5% ou 830,112 mil (t). Sobre o ano passado, quando 1,592 milhão (t) estavam armazenadas, o estoque público nacional sofreu baixa de 41% em abril deste ano. 

Mas a situação só poderá ser revertida se o governo garantir um aumento de 40% no preço mínimo do milho, que hoje está em R$ 13,56/ saca para R$ 22,61/saca, conforme sugere o consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Frederico Azevedo. “Com um preço mínimo tão baixo, nenhum produtor se interessa em ofertar o grão para o governo”.

Enquanto isso, em Brasília, o ministro da Agricultura Blairo Maggi está viabilizando mais uma leilão de
milho para atender a escassez que ainda resiste este ano. Estima-se que serão ofertadas cerca de 160 mil toneladas, que vão sair dos estoques da Conab em Mato Grosso e que deve abastecer principalmente o estado de Santa Catarina.