Notícias

17 de Março de 2015

Acrismat promove curso de aperfeiçoamento para médicos veterinários do Indea/MT

A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) realizou nesta terça-feira, 17, curso de capacitação de Médicos Veterinários Oficiais em Monitoramento e Vigilância de Suínos Asselvajados. Cerca de 50 profissionais do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) de todo o Estado participaram do treinamento ministrado pela pesquisadora e doutora Virgínia Santiago Silva, da EMBRAPA - Suínos e Aves/SC.

O diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues, lembrou que está é uma ação para que os profissionais responsáveis pela vigilância sanitária do Estado estejam preparados para monitorar as espécies asselvajadas, tendo em vista que essa é uma das exigências previstas na nova regulamentação da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). “Esse treinamento é de suma importância para atender as exigências da OIE e para o Estado de Mato Grosso avançar ao reconhecimento de zona livre internacional para Peste Suína Clássica (PSC) e não perder mercado internacional da carne suína a longo prazo”, ressaltou.

O presidente do Indea/MT, Guilherme Linares Nolasco, reconheceu que ações realizadas pelos produtores e seus representantes tem sido importante neste início de mandato, no qual o caixa do órgão está defasado e sem condições financeiras para realizar os trabalhos necessários. “Agradeço a atenção e empenho da Acrismat em proporcionar este treinamento para os nossos profissionais. Entendemos que a questão sanitária dos suínos é de extrema importância por se tratar de uma cadeia tão representativa para nossa economia. No que depender de nós, vamos juntos realizar as atividades necessárias para que Mato Grosso também ganhe o reconhecimento internacional”, disse o presidente.

A doutora Virginia Santiago abriu o dia de conhecimento chamando a atenção de como essa ação é desafiadora, já que no Brasil o monitoramento das espécies selvagens de suínos e javalis é muito novo. A pesquisadora explicou que a preocupação se dá visto que essa população selvagem está em expansão no país por serem extremamente adaptáveis e não terem predadores à altura, principalmente quando se trata dos javalis.

“Essa população está chegando cada vez mais perto dos nossos suínos domésticos e também do homem. Por isso a importância de monitorar e controlar as doenças que estas espécies podem trazer para a nossa população, bem como evitar os estragos que causam nas plantações e o perigo que representam para o homem. Afinal, são animais de médio e grande porte extremamente agressivos”, enfatizou a doutora.

Virginia lembrou também que o trabalho de monitoramento irá contemplar uma mudança cultural em algumas regiões, que preferem a carne de javali para o consumo ou que tenha o costume de caça desses animais. “Devemos conscientizar que esses bichos apresentam riscos ambientais graves. Eles podem alterar um bioma, misturar as espécies e desconhecemos o efeito dessas mudanças na natureza a curto e médio prazo”.

Reconhecimento internacional

Desde 2014, a OIE tornou o reconhecimento das zonas livres de peste suína clássica como um status internacional. Sendo assim, novas diretrizes e regras foram adotadas para que os Estados conquistem esse reconhecimento. Em 2015, somente Santa Catarina e Rio Grande do Sul receberam o pleito. Outros 14 estados brasileiros (PR, SP, MG, MS, MT, GO, TO, RJ, ES, BH, SE, RO, AC e DF), que já tem o reconhecimento nacional como áreas livres de PSC desde 2009, também preparam-se para pleitear o mesmo status a partir deste ano.