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01 de Abril de 2026

Acrismat fortalece suinocultura com missão técnica à Embrapa Suínos e Aves e destaca biosseguridade e inovação como pilares do crescimento

A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) promoveu visita técnica à Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia (SC), reunindo produtores e representantes do setor em uma agenda voltada à atualização técnica, inovação e fortalecimento da atividade suinícola.

A programação foi marcada por apresentações e debates com pesquisadores da instituição, referência nacional em pesquisa aplicada à produção animal, abordando temas estratégicos como sanidade, biosseguridade, sistemas de produção e sustentabilidade.

Um dos destaques foi o debate sobre gestão de dejetos e uso eficiente de recursos naturais. Segundo o pesquisador sênior, Airton Kunz, o setor já conta com diferentes rotas tecnológicas para o tratamento de resíduos, com foco no aproveitamento energético e na redução de impactos ambientais.

“Estamos trabalhando com processos de tratamento de dejetos da produção animal de maneira geral. A lógica é termos alternativas para recuperar o biogás, tratar os efluentes, recuperar nutrientes e também fazer o reuso da água”, destacou.

O pesquisador também enfatizou a importância do uso racional da água nos sistemas produtivos. “A água será uma commodity do futuro dentro da produção animal. Precisamos investir em estratégias que permitam racionalizar e reutilizar esse recurso, reduzindo a captação em rios e poços”, completou.

Outro tema de relevância foi a destinação adequada de animais mortos nas granjas. De acordo com o chefe geral Everton Krabbe, o manejo incorreto pode representar riscos sanitários significativos.

“Os animais mortos podem atrair moscas e outros vetores capazes de disseminar doenças. Estudos já comprovam a presença de vírus de interesse zootécnico nesses insetos”, alertou.

Entre as alternativas apresentadas, destacam-se soluções acessíveis como a compostagem de animais inteiros, além do uso de biodigestores para geração de biogás. “O mais importante é que o produtor compreenda que animais mortos não podem permanecer próximos aos animais saudáveis. O destino correto e ágil é fundamental para a biosseguridade da propriedade”, reforçou.

A visita também trouxe uma abordagem ampla sobre sanidade e organização dos sistemas produtivos. Conforme a pesquisadora destacou Jalusa Kich, a biosseguridade deve ser encarada como uma oportunidade estratégica para o crescimento da suinocultura.

“Discutimos conceitos de sanidade, diferenças entre sistemas de produção e, principalmente, a importância da biosseguridade como diferencial competitivo. Regiões com menor densidade produtiva, como Mato Grosso, possuem vantagens sanitárias importantes para expansão da atividade”, afirmou.

O presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, destacou a importância de realizar a missão técnica em Santa Catarina, estado reconhecido como referência nacional na produção suinícola tecnificada.

“Estar em Santa Catarina, que é o berço da suinocultura tecnificada no Brasil, permite que nossos produtores tenham contato direto com as melhores práticas, tecnologias e modelos produtivos consolidados. Essa troca de conhecimento é fundamental para que possamos avançar com mais segurança, eficiência e competitividade em Mato Grosso”, afirmou.

Para a Acrismat, a aproximação com instituições de excelência como a Embrapa reforça o compromisso da entidade com o desenvolvimento sustentável e competitivo da suinocultura mato-grossense.

A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à capacitação dos produtores e à disseminação de tecnologias que contribuam para o fortalecimento da cadeia produtiva, ampliando oportunidades e elevando o padrão sanitário e produtivo do setor.

Participaram da visita técnica o diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues, o médico veterinário Junio César Santos, Jair Kreibich, os suinocultores Jorge Augusto Salles, Gilmara Forquezatto, Raquel Martelli, Marcel Sachetti, o coordenador de inteligência de mercado do Imea, Rodrigo Silva, o gestor de projetos do Fórum Agro MT, Carlos Bolzan, o diretor de relações institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, a médica veterinária e fiscal de sanidade suídea do Indea-MT, Daniela Schettino, a superintendente de agronegócio e Energia da Sedec-MT, Camila Vez Batti, Fiscal Agropecuária da Sedec Milene Vidotti e o diretor presidente da Invest MT, Mirael Praeiro.