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22 de Março de 2016

Acrismat é convidada para falar em reunião da Aprosoja

Na última quinta-feira (17), a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) participou da Comissão de Política Agrícola na sede da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). A pauta da reunião foi sobre as propostas do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) do Governo Federal, o seguro agrícola e o preço mínimo de soja e de milho. Tendo em vista a crise no abastecimento do milho, a instituição foi convidada para falar do impacto que isso causa nos suinocultores.

O diretor executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues, fez uma apresentação sobre o panorama da suinocultura no Estado de Mato Grosso. Ele lembra que, por ano, são utilizadas aproximadamente 686 mil toneladas de milho e 294 mil toneladas de farelo de soja para alimentar os suínos. Segundo dados da própria Acrismat, só em 2016 foram mais de 1,5 milhão de suínos levados ao abate. “A cadeia da suinocultura agrega muito valor ao milho, pois o diversifica e aumenta a sua renda. No processo final da produção da carne, há em média um consumo de 2,7 Kg de ração para cada quilo de suíno produzido”, explica.

Foi à primeira reunião do ano que a Aprosoja realizou com este foco. “O encontro foi positivo e bastante produtivo. Esta foi à primeira participação dos delegados da associação, eleitos no ano passado e eles se inteiraram dos assuntos da comissão”, explica Emerson Zancanaro, coordenador da Comissão de Política Agrícola.

Ele ressalta que, além dos temas técnicos, a comissão também discutiu a instabilidade do cenário político-econômico do Brasil neste momento. “Acendemos um farol sobre a política e a economia brasileira. Há grande preocupação sobre como ficará o setor dentro deste cenário e quais são os próximos passos do País”, avalia Zancanaro.

Os membros da comissão fizeram diversas propostas para melhor adequar o PAP às necessidades do agricultor de Mato Grosso. Entre elas está maior aporte ao crédito rural, a necessidade de exclusão da obrigatoriedade da contratação de seguro rural para liberação de recursos do custeio agrícola e a elevação do limite para obtenção de crédito de custeio por CPF. “Atualmente, o limite é de R$ 1,2 milhão por CPF. Isso é insuficiente para custear integralmente 63% dos produtores rurais da cadeia de soja e milho de Mato Grosso, que são os que plantam acima de 500 hectares, fazendo com que o custo de produção e captação de recursos esteja fora do ideal para os associados”, explica Zancanaro.

Também foi proposta a necessidade de manutenção de recursos para o Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA). Estas sugestões, dentre outras, serão levadas a discussão na Câmara de Política Agrícola e Crédito Rural da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e no Conselho de Desenvolvimento Agrícola do Estado, assim como com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Os membros da comissão também ressaltaram a necessidade de atualização dos preços mínimos das commodities em Mato Grosso. “Esses preços devem refletir o custo de produção do produtor rural, além de servir como balizador de mercado. Na forma como está hoje, o preço mínimo das cadeias de soja e milho para Mato Grosso desestimulam a produção, o que pode causar graves consequências para as cadeias produtivas subsequentes como as da suinocultura, avicultura e piscicultura. Estudos realizados demonstram até 47% de diferença do que deveria ser o preço mínimo e o que está previsto hoje”, explicou Frederico Azevedo, gerente da comissão.

Em relação ao seguro rural, os membros não concordam com a obrigatoriedade deste produto, pois a cobertura dada não é eficaz para as áreas de Mato Grosso. Além disso, há dificuldades nas cláusulas do seguro, pois existem diversas excludentes que geram dificuldades para o que produtor acesse a indenização, se for necessário.

Durante a reunião, participaram ainda representantes de diversas cadeias produtivas, como da Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat), que apresentaram um panorama sobre suas atividades. Também estiveram presentes representantes do Banco do Brasil e do Sicredi e ainda o secretário adjunto de Agricultura do Estado de Mato Grosso, Alexandre Possebon.


*Com informações da Assessoria de Comunicação da Aprosoja