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04 de Fevereiro de 2015

Acrismat conversa com o novo presidente do Indea-MT

O médico veterinário e pecuarista Guilherme Linares Nolasco assumiu no início deste ano a presidência do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT). A pouco tempo à frente do órgão, o novo presidente considera um grande desafio em sua gestão traçar um plano de defesa sanitária animal a longo prazo.

Em entrevista à Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) Guilherme Nolasco revelou que ainda terá pela frente o desafio de atender aos anseios dos produtores de Mato Grosso quanto ao melhoramento do sistema de tecnologia da informação do órgão e facilitação do aspecto burocrático dos processos nas atividades.

Confira o bate-papo completo com o novo presidente:

 

Acrismat: Ao assumir a gestão do Indea-MT, qual acredita ser o principal desafio?

Nolasco: São tantos desafios para uma autarquia que está presente em 141 municípios do Estado de Mato Grosso, com quase mil servidores para realizar o serviço de defesa sanitária animal e vegetal. Temos algumas peculiaridades, por exemplo, estamos prestes a reiniciar a classificação da madeira. Temos ainda grandes desafios de gestão, de modernização de processos, liberação de serviços on-line ao produtor e o trabalho de educação sanitária.

Acredito, porém, que o maior dos desafios seja escrever um plano de defesa sanitária animal a longo prazo. Estamos indo para 19 anos sem Febre Aftosa e precisamos traçar até onde queremos chegar. Quem sabe no futuro, um Estado livre de vacinação ou diminuição de uma etapa. Precisamos mais do que nunca conquistar avanços na defesa sanitária.

Nas questões específicas dos suínos, precisamos focar o trabalho na intensificação das barreiras em função da peste suína clássica. Liberação de serviços online também ao produtor de suínos, que inclusive é uma reivindicação da Acrismat.

São várias as questões que devem ser consideradas e ressalto que não tem como enxergar o Indea-MT de forma individualizada, os trabalhos se completam. A melhoria da tecnologia da informação, por exemplo, vai dar ao produtor a disponibilidade de fazer alguns serviços on-line da sua casa ou fazenda, o que acaba desonerando as unidades locais do Indea do trabalho burocrático e acaba por intensificar o trabalho de campo de fiscalização. Então, você pega um processo que você começa a investir e vai desencadeando outras ações, tornando um órgão menos burocrático. Isso  libera o servidor para atividades fim, que é a fiscalização, educação sanitária e o órgão retoma as suas obrigações iniciais de acordo com a finalidade com que foi criado.

 

Acrismat: A cadeia produtiva da suinocultura tem preocupações sérias quanto à sanidade em Mato Grosso. Principalmente após as novas diretrizes da OIE em relação à peste suína clássica ser reconhecida como critério de certificação internacional. Para 2015, apenas Rio Grande do Sul e Santa Catarina receberam essa certificação. Como o Indea enxerga a gravidade do tema? Já está sendo elaborada alguma estratégia de atuação para que o Estado conquiste essa certificação o quanto antes e não perca mercado internacional?

Nolasco: O Indea sabe da extrema importância que tem o tema. A suinocultura no Estado deve ser muito valorizada, tendo em vista que somos o maior produtor de soja e de milho de segunda safra no país e tudo isso casa muito bem: produção de agricultura e produção de proteína animal. O que precisamos fazer é focar e se esforçar para que a cada dia dê mais importância para a defesa sanitária da suinocultura, que é uma atividade que tem um potencial de crescimento incrível e Mato Grosso tem por obrigação de se certificar e atingir os melhores mercados internacionais e possíveis para a carne suína.

Isso envolve na verdade uma questão que é comum ao Indea, e não só à suinocultura, a parte de barreira sanitária, postos fiscais, investimento maciço no fechamento dessas fronteiras, sejam elas interestaduais ou internacional com a Bolívia. São necessárias fiscalizações fixas e volantes.

Acrismat: Em sua opinião, qual o principal problema em relação à sanidade suídea no Estado?

Nolasco: Quando se fala em defesa sanitária animal, se fala em postos fiscais, barreiras sanitárias, fiscalizações volantes e trabalho de educação sanitária junto ao produtor. Então é um trabalho e um conjunto de ações para você manter as enfermidades controladas e um status para aquela enfermidade.

Acirsmat: Acredita que outras entidades devem ser envolvidas nessa força tarefa para que Mato Grosso também receba a certificação internacional?

Nolasco: Há um compromisso desse Governo de que todas as ações serão discutidas e conversadas com o setor produtivo. Nada será surpresa para o setor produtivo, as decisões e ações que serão desenvolvidas serão previamente discutidas. Isso não quer dizer que necessariamente serão acatadas todas as reivindicações, mas serão discutidas e colocadas com muita transparência.

Nesse contexto, consideramos de extrema importância a participação do setor produtivo. Há até um interesse da criação de um fundo da suinocultura, isso já passou pelo Indea e começamos a discutir esse tema. Estamos estudando a criação de um fundo para justamente cuidar com mais cuidado da sanidade suídea para que ações de prevenções de doenças da suinocultura sejam ainda mais estimuladas e desenvolvidas no Estado.