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04 de Fevereiro de 2016

ABCS busca nova reunião com Mapa para encontrar medidas além dos leilões de milho

Com a alta nos preços do milho e da soja, o suinocultor brasileiro tem enfrentado dificuldades para manter o equilíbrio na relação entre o custo de produção e o preço de venda. Há cerca de três semanas, estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo registram queda no valor pago pelo quilo do suíno vivo, situação que para os suinocultores tem sido inviável. A avaliação acima é da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), divulgada em boletim informativo na quarta-feira (3).

Como medida emergencial, a entidade busca uma saída para o que considera uma “crise no setor”. Em reunião realizada na semana passada com o ministro interino André Nassar e a equipe econômica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a ABCS ouviu que será necessária a aprovação do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) para que a Conab aumente o limite de compra do milho balcão. No entanto, segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, essa decisão pode levar tempo e os suinocultores não estão em condições de esperar.

“Por isso, buscamos (juntamente à Frente Parlamentar da Suinocultura) agendar reunião com a ministra Kátia Abreu e tentar uma nova negociação”, disse. O objetivo do novo encontro, segundo o dirigente, é mostrar mais uma vez ao Mapa que somente a realização dos leilões não será suficiente para atender às necessidades do setor. “Precisamos adotar uma medida mais emergencial e que atenda toda a cadeia produtiva, já que a quantidade de milho disponibilizada para os leilões e a viabilidade econômica destes lotes não é interessante para todos os produtores”, destacou Lopes.

O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs) e conselheiro de Relações com o Mercado da ABCS, Valdecir Luis Folador, alerta que a crise atinge, principalmente, os pequenos e médios produtores, “porque eles fabricam a própria ração; portanto, a adoção de uma medida mais emergencial é fundamental para a sobrevivência deste grupo de suinocultores que não tem fôlego para suportar a crise por muito tempo”, disse Folador no boletim divulgado pela ABCS. Ainda segundo a nota, o próximo leilão da Conab foi marcado para o dia 16 de fevereiro.

Na última segunda-feira (1º), a companhia anunciou que vendeu 125,9 mil toneladas de milho durante o primeiro leilão realizado. Ao todo, serão leiloadas 500 mil toneladas de milho dos estoques públicos em lotes de 150 mil neste primeiro semestre de 2016.