Embargo da carne
Uma missão brasileira estará em Moscou, na Rússia, na próxima segunda-feira (4), para negociar o fim do embargo às exportações de carne, imposto a 85 frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi. A suspensão foi anunciada no início do mês e entrou em vigor no dia 15. “Me reunirei hoje (ontem) com membros da missão para falarmos sobre a viagem e as negociações. Quero que cumpram o dever de casa e apresentem o que os russos pedirem”.
Segundo o ministro, dos 210 frigoríficos nacionais habilitados a exportar para a Rússia antes do início dos embargos, 140 estarão na lista que será entregue pelos representantes do governo brasileiro, na próxima semana, como cumpridores de todas as exigências impostas pelos russos. “Os demais (frigoríficos) terão de se adequar”.
O ministro criticou a má qualidade das traduções, para o idioma russo, dos documentos encaminhados pelo Brasil ao diretor do Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia), Sergey Dankvert. Segundo Rossi, os erros de tradução foram objeto de uma reclamação do próprio Dankvert, em reunião que os 2 tiveram em Paris, na semana passada, durante encontro de representantes da área agropecuária do G-20 (grupo que reúne países ricos e principais emergentes).
“Quero tomar providência no setor de comunicação quanto à tradução. O (diretor Sergey) Dankvert disse que ainda não tinha recebido os documentos e o que tinha recebido apresentava algumas incorreções. O Brasil não pode mandar uma tradução inadequada para o Dankvert analisar. Estamos falando de um mercado de US$ 4 bilhões. Não podemos ficar sem tradução. É um desabafo”, disse Rossi.
O ministro também criticou aqueles que contestam as exigências sanitárias de países compradores de produtos agropecuários brasileiros. “Estou mouco de tanto ouvir técnicos dizendo que não é possível que peçam isso ou aquilo. Como não podem? Eles podem pedir o que quiserem. Temos que atender aos nossos clientes, temos que ter um mercado maduro. Todo dono de bar sabe que o cliente tem sempre razão”.
Laboratórios – O ministro Wagner Rossi, afirmou que a presidenta Dilma Rousseff respaldou seu pedido de recursos para a atualização dos laboratórios públicos, feito após problemas de embargo a carnes brasileiras pelas autoridades sanitárias russas. Segundo ele, são necessários cerca de R$ 50 milhões para uma “boa atualização”.
Rossi disse que a Casa Civil já está analisando as necessidades de renovação dos laboratórios de análises sanitárias. “Eles não são ruins, mas se ressentiram da falta de investimentos nos últimos anos”. O ministro afirmou, no entanto, que não quer mais ouvir a desculpa de que as demandas não podem ser cumpridas e que, se necessário, serão usados laboratórios particulares, no país ou no exterior. “O Brasil tem um protagonismo que não pode se permitir não ter os recursos necessários para cumprir as exigências dos clientes”.
As exportações de carne representam quase 20% das vendas externas do agronegócio nacional, que já ultrapassou a marca de US$ 80 bilhões nos últimos 12 meses. Os laboratórios garantem o cumprimento das exigências sanitárias do produto exportado e daquele consumido no país.